marcar-conteudoAcessibilidade
Tamanho do texto: A+ | A-
Contraste
Especial
há 6 anos

[1] Universidade de Moscou

Homenagens concedidas ao Dr. Daisaku Ikeda por universidades ao redor do mundo

03/11/2020

[1] Universidade de Moscou

O campus da Universidade de Moscou se estende sobre a Colina dos Pardais. O prédio principal de 32 andares, com 240 metros de altura, visível mesmo na região central da cidade, exala imponência. No oitavo andar desse prédio fica a sala do reitor. Foi lá que se realizou a solenidade de outorga do título de doutor honorário da instituição ao presidente Ikeda, em 27 de maio de 1975.

Dentre as personalidades agraciadas com esse título, até então, estavam nomes de gigantes da história da humanidade, como o defensor da teoria da evolução, Charles Darwin; os poetas Friedrich Schiller e Johann Wolfgang von Goethe; o primeiro-ministro chinês Zhou Enlai, entre outros.

A outorga dessa homenagem ocorreu ante o forte anseio da própria universidade. Nesse dia, pouco antes de proferir seu discurso comemorativo, sob o olhar fraterno do vice-reitor, dos diretores, dos professores e dos representantes dos alunos, Ikeda sensei recebeu o diploma de doutor honorário das mãos do reitor Rem Viktorovich Khokhlov.

Por que eles homenagearam o presidente Ikeda?

Laços estabelecidos por meio do diálogo

Um ano antes, em 1974, o presidente Ikeda havia visitado pela primeira vez a China e a União Soviética (na época), respectivamente em maio e em setembro. Foi uma visita realizada em sequência a esses dois países, em meio a forte e contínua tensão entre ambos os países devido à Guerra Fria.

Na China, ele se encontrou com o vice-primeiro-ministro chinês, Li Xiannian, e representantes da Associação da Amizade Sino-Japonesa, fortalecendo sua convicção de que as pessoas desse país ansiavam pela paz.

No dia 8 de setembro, em pleno outono dourado, Ikeda sensei desembarcou na União Soviética, a convite da Universidade de Moscou. No último dos dez dias de estada da comitiva no país, foi realizado o encontro com o primeiro-ministro soviético Aleksey Kosygin. Quando o diálogo passou para a questão do confronto entre China e União Soviética, Kosygin declarou: “O senhor pode comunicar aos chineses que a União Soviética não invadirá a China”.

O presidente Ikeda visitou novamente a China em dezembro do mesmo ano e transmitiu essas palavras aos líderes centrais do governo chinês. Além disso, no dia 5 desse mês, estabeleceu o seu único e derradeiro encontro com o primeiro-ministro Zhou Enlai.

A visita de Ikeda sensei ao país soviético não só lançou uma esperança na melhoria das relações entre China e União Soviética, como também aproximou e estabeleceu uma profunda amizade entre ambos os países, que se consideravam “próximos fisicamente, contudo muito distantes” — sentimento compartilhado até mesmo pelas pessoas comuns.

Como seres humanos, o sentimento de desejar a paz e a felicidade é imutável. Ao dialogar com o coração aberto, é possível criar laços de amizade sem falta. A conversa com o reitor Khokhlov e com os diretores da Universidade de Moscou na sala do reitor foi uma das oportunidades na qual o presidente Ikeda aprofundou tal convicção.

Na sala estava exposta uma tapeçaria que retratava a universidade como um todo, presenteada pela Universidade de Pequim. Khokhlov disse: “Embora exista um conflito entre os nossos países, os soviéticos têm simpatia pelo povo chinês e se consideram seus amigos. Por isso [essa tapeçaria] está aqui mesmo agora”.

“A amizade e a confiança cultivadas por meio de um intercâmbio educacional não oscilam nem mesmo diante de um conflito entre países” — essa foi a convicção que o presidente Ikeda chegou.

Nessa primeira visita à União Soviética, foi firmado um protocolo de intercâmbio acadêmico entre as Universidades Soka e de Moscou. O presidente Ikeda expressou: “A Universidade Soka acabou de nascer e é ainda pequena, mas no século 21 ela será uma instituição à altura da vossa universidade que contribuirá para o mundo”.

O reitor respondeu:

O significado da universidade definitivamente não se determina pelo seu tamanho. A Universidade Soka possui um maravilhoso lema que defende o valor de toda a humanidade. E nela se encontra um ilimitado futuro. É por esse motivo que nós desejamos manter uma relação séria com a Universidade Soka.

As sementes do intercâmbio humano haviam sido lançadas no grande solo da educação. Essas sementes foram cultivadas e brotaram com a nova visita de Ikeda sensei ao país no ano seguinte, 1975.

Por trás do convite para sua segunda visita à União Soviética estavam, além da Universidade de Moscou, a União das Sociedades Soviéticas para a Amizade e Relações Culturais com Povos de Países Estrangeiros e a União dos Escritores Soviéticos. Era a prova da confiança e da expectativa em relação ao presidente Ikeda, como alguém dedicado à promoção da amizade entre Japão e União Soviética.

Logo após a entrega do título de doutor honorário da universidade, o presidente Ikeda proferiu seu discurso comemorativo intitulado “Novo Caminho do Intercâmbio Cultural entre o Oriente e o Ocidente” no palácio da cultura.

Afirmando que a cultura popular que desabrochara na União Soviética deveria contribuir para o intercâmbio da humanidade, citou o exemplo do Caminho da Seda, considerado uma ponte entre Oriente e Ocidente, para ressaltar que é na ressonância entre as pessoas que existe o ponto primordial do intercâmbio cultural. Declarou que, no momento em que se identifica o “ser humano” dentro do outro, todas as barreiras que os separam caem por terra instantaneamente.

O discurso foi aplaudido efusivamente.

A atitude de Ikeda sensei, de falar ao público na condição de “ser humano”, sem representar um país, uma posição política ou uma ideologia, foi mudando a reação dos soviéticos.

O ex-vice-reitor da universidade, Vladimir Tropin, relembra que a “atitude positiva” e a “tenacidade e a convicção” do presidente Ikeda foi abrindo aos poucos as portas da União Soviética e do seu povo, e “as pessoas que se encontraram com sensei e ouviram as palavras dele mudaram radicalmente a maneira de ver o Japão e a inter-relação entre os dois países, que são vizinhos entre si”.

Desde 1974, o presidente Ikeda visitou a União Soviética e a Rússia seis vezes, e realizou uma sequência de diálogos também com os reitores que sucederam o reitor Khokhlov na Universidade de Moscou, Anatoly Logunov e Viktor Sadovnichiy.

A Associação de Concertos Min-On, o Museu de Arte Fuji de Tóquio e o Instituto de Filosofia Oriental — instituições fundadas pelo Dr. Daisaku Ikeda — também têm desenvolvido várias atividades de intercâmbio com a Rússia. O fluxo de intercâmbio entre estudantes da Universidade Soka e da Universidade de Moscou já supera a marca de quinhentos alunos, lançando para o mundo “valores humanos” que se dedicam à amizade entre Japão e Rússia. Em reconhecimento a essas contribuições, em 2002, a Universidade de Moscou conferiu também ao Dr. Daisaku Ikeda o título de professor honorário de sua instituição.

No discurso de 45 anos atrás, o presidente Ikeda disse:

Prometo promover daqui para a frente também, junto com os senhores, o intercâmbio cultural para as pessoas comuns do povo. Em prol desse intercâmbio, eu me dedicarei à vanguarda desse movimento por toda a vida e percorrerei o mundo com a mais absoluta sinceridade e seriedade.

Em exato acordo com essas palavras, as ações do presidente Ikeda nos ensinam, mesmo agora, que, independentemente das barreiras que existam, as pessoas podem estabelecer laços por meio do diálogo; e que o intercâmbio educacional e entre universidades é o caminho nobre da construção da paz.

Palavras do reitor Sadovnichiy

A Universidade de Moscou se orgulha de seu olhar aguçado para perceber que o Dr. Ikeda se tornaria essa personalidade homenageada pelo mundo no futuro. Na época, em plena Guerra Fria, o fato de a Universidade de Moscou decidir pela outorga do título de doutor honorário ao Dr. Ikeda não tinha só um significado acadêmico, mas representava, mais que tudo, uma séria e importante decisão política como universidade.

Em meados da década de 1970, a relação entre Japão e Rússia estava totalmente estremecida. (...) No entanto, em 1974, quando o Dr. Ikeda visitou pela primeira vez a nossa universidade, ele dialogou com os dirigentes da instituição e com o grupo de professores e também respondeu a perguntas dos estudantes. Esse encontro nos impactou e nos impressionou profundamente.
O diálogo no qual o Dr. Ikeda expressou plenamente seu sentimento foi perfeito. Esse primeiro encontro nos aproximou rapidamente e abriu caminhos para o posterior intercâmbio acadêmico entre a Universidade de Moscou e a Universidade Soka. E essa é a origem do intercâmbio que prossegue e se desenvolve até o presente. (...)
Acredito firmemente que a vida e a trajetória do Dr. Ikeda precisam ser registradas e deixadas para a posteridade com um capítulo especial dentro da história da amizade e do intercâmbio entre Japão e Rússia.1

Universidade fundada em 1755 e maior referência da Rússia
O nome oficial da Universidade de Moscou é “Universidade Estatal de Moscou” em Homenagem a M. V. Lomonosov. Foi fundada ainda na época do Império Russo, em 1755, por proposição e pelo empenho do cientista Lomonosov e de outros. É a maior e mais renomada instituição de ensino do país. Cerca de 40 mil estudantes frequentam seus 39 cursos e laboratórios de pesquisa. Possui mais de setecentos acordos firmados de cooperação técnica e educacional com instituições governamentais e internacionais, universidades e centros de pesquisa da Europa, da Ásia, das Américas do Norte e do Sul e da África.
Além do ex-presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, a universidade é a alma mater de vários ganhadores do Prêmio Nobel, e forma continuamente pessoas valorosas que contribuem para o bem da sociedade.

Nota:

1. Trechos de matéria publicada no jornal Seikyo Shimbun datado de 12 de novembro de 2006.

Compartilhe

Copy to clipboard